quarta-feira, 26 de julho de 2017

Ética da Responsabilidade e Poder em Hans Jonas

Com este estudo pretendo avaliar na obra do filósofo Hans Jonas O princípio responsabilidade – Ensaio de uma ética para a civilização tecnológica os vetores de uma Ética da Responsabilidade e suas relações com o poder. Será apresentado no II Colóquio Internacional de Filosofia Francesa e Cultura, na Universidade Estadual do Maranhão, em outubro de 2017.
O vertiginoso desenvolvimento científico-tecnológico da modernidade transformou radicalmente a natureza da ação humana ampliando de forma exponencial o seu poder de intervenção sobre o curso da natureza e da história, a ponto de representar séria ameaça à sobrevivência do planeta. Essa gigantesca influência da ação humana tecnificada deixou de encontrar enquadramento nos parâmetros éticos tradicionais. Exige urgente revisão crítica do pensamento ético rumo a “uma nova ética de responsabilidade de longo alcance, proporcional à amplitude de nosso poder” capaz de imensos impactos sobre o destino da vida humana e das coisas extra-humanas.
Mesmo admitindo a pertinência da ética tradicional na orientação de muitos aspectos da vida humana, precisamos de uma ética renovada capaz de suscitar a responsabilidade humana diante do poder transformador da ação tecnificada sobre o presente e futuro. Ela se condensaria neste imperativo moral: “Aja de modo a que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma autêntica vida humana sobre a terra”, que englobe, portanto, o bem das futuras gerações.
Trata-se de uma nova ética que inclui o nosso dever para com o futuro. Ainda que, no plano da fé religiosa, essa atitude pudesse apoiar-se numa vontade transcendente, o autor opta pela abordagem imanente. Funda o imperativo dessa ética da responsabilidade para com a existência da humanidade sobre o único comportamento naturalmente altruísta do ser humano: o sentimento paterno/materno de cuidado com a vida da criança que os adultos autônomos normalmente cultivam. Recorre à metafísica leibniziana da “primazia absoluta do Ser diante do nada”, compromisso radical de responsabilidade pela preservação da existência do Ser circunscrito à temporalidade. Responsabilidade que ultrapassa o presente para valorizar um horizonte de futuro, na moralidade individual e na prática política.